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     Capoeira: mestre Pastinha vem se curar em São Paulo
    19 de março 1971

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      Capoeira: mestre Pastinha vem se curar em São Paulo
      Última Hora
      19 de março de 1971

      Vicente Ferreira Pastinha, que foi um dos mais famosos mestres de capoeira da Bahia, hoje, aos 86 anos, está numa situação de causar dó: cego, doente, morando em um comodo onde só cabe sua cama de solteiro, na Ladeira do Pelourinho, em Salvador.

      A descrisão do estado em que Pastinha se encontra foi feita por Reinaldo Suassuna, discípulo de mestre Bimba, que condoído com o que constatou em recente viagem à capital baiana, decidiu fazer alguma coisa pelo velho mestre de capoeira. Reuniu um grupo de amigos para custear a vinda de Pastinha a São Paulo, para se tratar.

      OPERAÇÃO

      As despesas de viagem e hospedagem, nesta capital, não constituem problema. Correrá por conta dos baianos que têm academias de capoeira em São Paulo. A dificuldade que eles estão encontrando é para conseguir hospital que trate de Pastinha gratuitamente, pois eles não têm condições de arcar com as despesas de internação, principalmente da operação da catarata para lhe restituir a visão.

      Suassuna, em face disso, decidiu fazer um apelo ao novo secretario de Turismo do Estado, sr. Pedro de Magalhães Padilha, no sentido de que ele interceda junto à direção do Hospital das Clínicas para conseguir o internamento de Pastinha naquele estabelecimento hospitalar, onde o tratamento e a operação seriam mais faceis.

      POR QUE

      No apelo ao secretário de Turismo, Reinaldo Suassuna explica:

      - Pastinha, assim como mestre Bimba, são famosos na Bahia. Foram até bem pouco tempo exímios professores de capoeira, que faz parte do nosso folclore, como dança, embora no fundo seja um esporte genuinamente brasileiro. As academias de capoeira de ambos atraíam turistas. Pastinha, por isso, está intimamente ligado ao turismo.

      PENSÃO

      Reinaldo Suassuna disse que o que o levou a tomar a decisão de ajudar Pastinha foi o fato de constatar que nenhuma autoridade baiana está se interessando pelo seu drama. A única coisa que fizeram foi lhe dar uma pensão de cem cruzeiros mensais, quantia que considera irrisória, levando em conta o custo de vida na Bahia, muito mais elevado que o de São Paulo.

      - Se o secretário do Turismo paulista interceder junto ao HC e conseguirmos o tratamento e operação de Pastinha, todos nós, que o conhecemos e sabemos da situação difícil que ele atravessa no fim de sua vida, vamos ficar muito felizes e eternamente agradecidos, finalizou.


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