•  Besouro incitou soldados a investir contra policiais civis numa delegacia

    Algumas documentações históricas registram os confrontos entre Besouro Mangangá e a polícia, como o ocorrido em 1918, no qual Besouro teria se dirigido a uma delegacia policial no bairro de São Caetano, em Salvador, para recuperar um berimbau que pertencia ao seu grupo. Com a recusa do agente em devolver o objeto apreendido, Besouro partiu para o ataque com ajuda de alguns companheiros. Eles não conseguiram recuperar o berimbau desejado, pois foram vencidos pelos policiais, os quais receberam ajuda de um grupo de moradores locais.

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    Nunca se soube a expressão exata do rosto do praça Argeu Cláudio de Souza ao ver aquele homem forte prostrado na janela central do posto policial de São Caetano. Com olhos atentos, ele examinou por alguns minutos as armas apreendidas pelos praças, exibidas num canto da sala. Em seguida, sem qualquer cerimônia, virou-se para Argeu, o plantonista, e lhe pediu um berimbau que estava exposto ao lado daqueles objetos que ofereciam perigo à população.
    Argeu declarou que não podia dar o berimbau sem ordem do subdelegado. Talvez, se soubesse que estava diante de ninguém menos que Besouro Mangangá - aquele que mais tarde seria descrito como "imbatível, insuperável, inigualável", segundo o mestre Burguês -, o praça tivesse simplesmente dado de bom grado o instrumento musical, que, naquele 8 de setembro de 1918, era considerado tão ofensivo quanto revólveres, navalhas e sabres. Sem pestanejar, Besouro invadiu o corpo de guarda e se aproximou do soldado Paulo Clemente de Cerqueira, com um gesto que já se tornava costumeiro: suspendeu o quepe do praça, dando-lhe um cascudo e chamando-o de recruta.
    O escrivão Simões, que acabava de chegar, presenciou a cena e ordenou que Argeu prendesse o agressor. Mas, quando o praça se aproximou, Besouro reagiu e puxou da camisa um sabre do Exército. Os policiais acharam que seria fácil dominar a situação, já que estavam em maior número. Mas, habilmente, enquanto lutava com o sabre, Manoel Henrique foi levando os praças para fora da delegacia, onde três soldados do Exército, seus companheiros, lhe esperavam. Besouro logo atingiu o policial Argeu no nariz. A situação teria se invertido a favor do capoeirista, se um grupo de populares não tivesse interferido na briga, aliando-se aos policiais.
    Acuados, Besouro e seus amigos correram para o Largo do Engenho da Conceição, mas não eram homens de levar desaforo para casa. Por isso, Manoel Henrique foi ao 31o Batalhão de Infantaria - onde era lotado -, reuniu vários soldados e, sob a direção de um sargento, retornou à delegacia para levar os policiais presos.
    O bairro de São Caetano parou com a chegada do piquete de 30 praças do Exército. Na frente da delegacia, Besouro bradou: "Governo (...) sustentador de morcegos, sem compostura; para querer desmoralizar os seus companheiros, pois ele como comandante do piquete, vindo de ordem de seu comandante para levar presos os praças policiais". Surpreso, Argeu buscou entrar em entendimento com o sargento do Exército, mas logo comunicou a situação ao comandante do 31o Batalhão de Infantaria, ao general da região, ao chefe de polícia e ao comandante da brigada policial. "O sargento, frente àquela situação, retirou sua força e, ironicamente, foi postar-se em frente à penitenciária. Parecia estar esperando a sua própria prisão", avalia Antônio Liberac.

    Fonte

    Delegacia de São Caetano



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