• Kay Shaffer
     O Berimbau-de-barriga e seus toques
    1977

    Partes do livro

    Sobre emprego

    [..] em 1973 [..] Mestre Waldemar só dava exibições pagas.

    Sobre a vida

    Mestre Waldemar (Waldemar da Paixão), nascido em Salvador a 22 de fevereiro de 1916. É um dos mais conhecidos capoeiristas na Bahia. Diz que começou a estudar capoeira em 1936 e a ensinar em 1940. Viu os problemas com a polícia no tempo de Pedrito (Pedro de Azevedo Gordilho), delegado do famoso Esquadrão de Cavalaria [até 1930 - velhosmestres.com] que tanto atuou contra os capoeiristas e os candomblés, mas diz que nunca esteve envolvido.

    Iniciou a comercialização do berimbau na Bahia.

    É muito conhecido por seu vasto repertório de cantigas.

    Ha vários anos se apresentava todo domingo com seus alunos num largo no bairro de Liberdade.

    Hoje envolve-se quase exclusivamente com a fabricação de berimbaus.

    Sobre a forma do berimbau

    Ao perguntar ao Mestre Waldemar, que faz a maioria dos berimbaus para o Mercado Modelo de Salvador, Bahia, por que ele assim [sem ponto] o faz, respondeu-nos: "Porque é mais decente". Quando pedido para explicar, ele disse que antigamente, durante o tempo dos problemas com a polícia, o berimbau — que foi feito de maneira pontuda — podia ser desarmado e usado como arma. A nova forma começou a ser usada logo no fim do período de problemas policiais.

    Sobre a pintura do berimbau

    É bem conhecido entre os Mestres que a primeira pessoa a pintar um berimbau foi Mestre Waldemar da Paixão. Ele mesmo diz: "Inventei invernizar. Fiz um berimbau muito bom por nome Azulão. Fiz o verniz azul."

    Ele também diz: "Fui eu que levei os berimbau na Bahia." Isto também é verdade. Em 1942, ele começou a fazer berimbaus para vender e inventou uma pintura especial para eles. Durante este tempo, a pintura dos berimbaus "pegou" e todos os mestres desde aquele tempo têm pintado os seus berimbaus.

    Sobre a venda de berimbaus

    A maior parte [de berimbaus vendidos no Mercado Modelo] é fabricada por Mestre Waldemar da Paixão, no Bairro de Liberdade, em Salvador. Lá, com vários rapazes que trabalham para ele, centenas de berimbaus são produzidos semanalmente.

    Como já explicamos, foi Mestre Waldemar quem iniciou a venda de berimbaus na Bahia. Em 1942, ele começou a vender berimbaus na antiga Água de Meninos. Depois do incêndio, que a destruiu, e o presente Mercado Modelo foi construído, ele continuou vendendo-os nesse novo local.

    Hoje, ele faz três tipos, que classifica como:

    1. berimbau especial: sete palmos (1,18 ou 1,20m);
    2. berimbau comum: aproximadamente de 1,10m;
    3. berimbau de criança: menor.

    A pintura de cada tipo é diferente, e a razão dada para a escolha de cores foi que "é tradição minha".

    Há poucos anos, o arame usado por ele era tirado de pneus. Agora só usa arame comprado em grandes rolos, por ser muito mais conveniente para a fabricação de grandes quantidades de berimbaus.

    A pintura, ele classifica ou chama de "tradição minha". As cores do berimbau "especial" (que se pode notar é do tamanho comum usado pelos capoeiristas) são diferentes das do berimbau "comum" (que é menor que o tamanho comum do dos capoeiristas) e das do "de criança". Os preços são maiores em relação ao tamanho do instrumento.

    Waldemar usa biriba para os berimbaus, fato de que somos testemunha, mas outros mestres da cidade dizem que ele faz "berimbau de vassoura". Interessante é que eles também dizem que, se eles tivessem começado a fazer berimbaus para vender, quando ele começou, hoje estariam ricos.

    Ainda sendo a madeira do tipo "certo", uma observação casual dá para notar a falta de perfeição no acabamento, que faz parte dos berimbaus dos profissionais.

    Há uns poucos anos, o arame era tirado de pneus. Agora o único usado é comprado em grandes rolos por ser muito mais conveniente. O arame é esticado o apertado com um pedaço de cordão fino em vez de barbante forte. A cabaça é de qualquer tamanho e muitas vezes de tamanho enorme, que embora pareça bonita numa parede, como já foi mostrado, não é apropriada para uma boa sonoridade.

    A "moeda" vendida com o berimbau é uma arruela comum.

    Não obstante a produção maior seja a de Mestre Waldemar, há outras pessoas que também fazem berimbaus para vender.

    Notação de alguns toques

    Angolina [Angolinha?]

    Mestre Waldemar:

    São Bento Grande

    Mestre Waldemar:

    São Bento Pequeno

    Mestre Waldemar:

    Banguela

    Mestre Waldemar:

    Iuna

    Mestre Waldemar:

    Santa Maria

    Mestre Waldemar:



    Imagem do livro

    • Shaffer, 1977

    Shaffer, 1977


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