• Jornal Radiolandia
     M Waldemar em Radiolandia 
    24 de setembro de 1955

    O texto

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      Radiolâmpagos
      Sangirardi jr.

      Meu agô é sôbre uns homens que dizem ser malandros, quando malandros no duro são outros.

      A capoeira é uma das coisas bonitas de Salvador, cidade sempre cheia de imprevisto e beleza. Há uma roda de capoeira no Largo da Liberdade, dirigida por mestre Waldemar e freqüentada por Caribé, Cabelo Bom, Mário Cravo e outros jagunços ilustres. Há a Academia do velho mestre Bimba, com diploma e quadro de formatura, perto da Faculdade de Medicina. A capoeira da Bahia funciona em câmera lenta, com movimentos harmoniosos, quase gentis, como se fôsse um „ballet“. Nos treinos e nas exibições, os lutadores apenas sugerem, figuram o golpe, sorridentes e amáveis. Êsse estilo vem do tempo em que a polícia resolveu proibir o jôgo e perseguir os capoeiras. Então êles empunharam os velhos urucungos da África (hoje berimbaus de barriga), e, entoando cantigas, passaram a treinar com movimentos de câmera lenta. Quando a polícia chegava, justificavam-se: estavam apenas cantando e dançando. Camuflavam, dessa forma, a luta proibida e perigosa. O estilo do jôgo continua até hoje. Mas o bailado cavalheiresco é apenas um artifício. Porque na hora da briga, pra valer, o capoeira baiano é tão ágil e inesperado que, quando o adversário percebe, já está no chão, quando pensa em reagir, já ficou em estado de hospital.


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