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     Pastinha, tradição da Bahia, em apuros
    22 de outubro 1971

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    • Mestre Pastinha está cansado de promessas
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    Jornal da Bahia, 1971

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      Pastinha, tradição da Bahia, em apuros
      Jornal da Bahia
      22 de outubro de 1971

      Mestre Pastinha, tradição da capoeira baiana, criador de estilo e professor de muita gente, está entregue à sua própria sorte: quase cego, sem sua Academia, vive com pequena ajuda da Sutursa - Cr$ 145,00 - que mal dá para pagar o quarto onde mora.

      Com as obras de recuperação do Pelourinho, a Academia do Mestre Pastinha foi fechada. Êle não recebeu indenização, mas a promessa de que retomaria o imóvel, tão logo o serviço fique pronto. Esta volta é sua única esperança, mas o problemas são outros.

      - Eu pensei - diz Pastinha - que, enquanto consertassem o Pelourinho, o Partimônio me alojaria em outro canto. Afinal eu sempre vivi do ensino.

      Outro canto o Mestre não teve. E sua situação econômica, que não andava boa, piorou. O Prefeito prometeu aumentar sua pensão, o que também não aconteceu. O Mestre não passa fome porque conta com a colaboração dos seus ex-alunos.

      - Os meninos vêm aqui - Pastinha continua, sem mágoas - e me perguntam qual é a solução. Eu que sei de solução? Não posso fazer nada.

      Entre as promessas, houve a de que uma assistente social visitaria Pastinha, relacionando suas necessidades: alimento, vestuário e remédios.

      - Nenhuma môça veio aqui em casa - afirma o Mestre.

      Na Fundação do Patrimônio, a volta de Pastinha ao seu salão do prédio 39 [19] de Largo do Pelourinho é considerada pacífica. "Não haverá problemas", diz um dos funcionários da direção. Como êle vai viver até lá, ninguém sabe.


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