• Diário de Notícias
     Piratini e Farroupilha participarão do «1. Congresso Brasileiro de Folclore» 
    28 de abril de 1963

    Imagens

    • UMBÚ HOTEL E VARIG CONVIDAM:

      1o FESTIVAL DO FOLCLORE BRASILEIRO NO RIO GRANDE DO SUL
      DE 1o A 31 DE MAIO NO SALÃO DE FESTAS DO RESTAURANTE UMBÚ

      [..]

      Exibição de passistas do Pernambuco, cantadores do Ceará, capoeiristas da Bahia e centros gaúchos de tradições.

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    M Pastinha, 1963


    Piratini* e Farroupilha** participarão do «1. Congresso Brasileiro de Folclore»
    Diário de Notícias
    28 de abril de 1963

    • página 1

      -

      [..] Programa

      Durante cinco semanas se estenderá um vasto programa, colocando por Estados, as apresentações, na seguinte ordem:
      Primeira semana de 1o a 5 de maio: Capoeira, da Bahia [..]

      [blockquote]legenda da foto de 1960 mostrando uma roda de M Canjiquinha:
      A mais legítima capoeira de Angola, praticada na Bahia será apresentada pela Piratini, que com a Farroupilha, realizará programas especiais participando, dessa forma do 1o Congresso Brasileiro de Folclore, que o Umbú Hotel e Varig promoverão[/blockquote]

      * TV Piratini
      ** Rádio Farroupilha

    • +

      página 2

      CAPOEIRA MATA UM
      Texto de Delgado FILHO

      "Jogo atlético introduzido no Brasil pelos escravos bantos de Angola" - assim [..] refere sôbre a "Capoeira" o Dicionário Folclórico de Luis da Câmara Cascudo. Entretanto, no Brasil, a capoeira tem característicos muito mais interessantes. Foi jôgo, foi luta, transformou-se em dança e chegou a entrar até a crônica histórica de Rio de Janeiro.

      "RASPA", "RASTEIRA" E "RABO DE ARRAIA"

      No início do século - dizem quase todos os cronistas do Rio antigo - os bandos de capoeiristas eram um assunto muito sério para a polícia. Protegidos por políticos, contando com admiradores em tôdas as classes sociais, os "capoeiras" - como eram chamados - lançaram na empolada imprensa de então, termos como "raspa", "rasteira" e "rabo de arraia", nas descrições de famosas contendas entre grupos rivais. Os estudos carnavalescos transformavam-se em coisa perigosa, com a presença dos temíveis capoeiras precisou a ação decisiva de um enérgico Chefe de Polícia para acabar com a indesejável prática que já ia tomando conta do Rio de Janeiro.

      No tempo de "Onça"

      Não só na crônica do Rio do início do século vamos encontrar referências à capoeira. O registro recua muito mais além, na vivência, ainda, do Israeli-Reino, quando o mulato "Corta Orelha" - Joaquim Inácio de Costa Orelha [guarda-costas de Rei João VI (1767-1826) - velhosmestres.com] - assassinou D. Gertrudes Pedra, esposa de um dos favoritos da nossa refuga rainha D. Carivia Joaquina. Até o sisudo e circunspecto patriarca José Bonifácio teve entre seus válidos um famoso capoeira. Tão ampla e significativa era a prática da capoeira que deu origem à [..] expressão "no tempo de onça".

      Ao que dizem alguns caçadores de curiosidades, o "Onça" foi um famoso policial, respeitado e temido pelos desordeiros que viam nele um mestre de difícil arte. Pois o "Onça" era também capoerista, e tão ágil que ganhava o apelido inconfundível. Enquanto o "Onça" dispôs da autoridade polícial os malandros não tiveram vez para badernas.

      Mas um dia, por uma injunção política qualquer, o "Onça" foi demitido. E as maltas de vadios reapareceram com suas façanhas, transformando as ruas do Rio de Janeiro em lugar perigoso para qualquer burguês pacífico que se aventurasse a sair à noite. Então o povo começou a se referir com saudade ao tempo do "Onça", "No tempo do Onça não se via disso" - diziam. E a expressão ficou para designar tempos que já passaram.

      "Berimbau, jornada e ganzá"

      Em que [..], no Rio de Janeiro, a capoeira ter uma crônica tão pitoresca, na Bahia ela subsistiu com o aspecto de um verdadeiro culto. Ao som de berimbau, ganzá, agogô e pandeiro, os aficionados da luta onde pouco vale a força bruta, adestram-se dançando um rítmo que ainda vem do tempo da escravatura. E "ai de [..]" - diz Jorge Amado - "se [..] derrubados por um golpe bem aplicado, ficando à disposição da navalha rebrilhante".

      Capoeira d'Angola e Mestre Bimba

      O mais fomoso capoeirista da Bahia é Mestre Bimba e até bem pouco o único profissional. Sua fama cresceu, tornando-o uma pessoa inovador na quase mística prática nascida de uma dança de negros. Acontece que, durante a guerra os soldados americanos baseados em Salvador tornaram-se entusiastas da capoeira. E Mestre Bimba achou de introduzir na luta alguns golpes de box e jiu-jitsu bem a gosto dos novos alunos.

      O caso provocou celeuma. Logo sairam a campo defensores intransigentes da tradicional Capoeira d'Angola em oposição aos recentes adeptos da chamada "Capoeira Regional". Falou-se muito. Discutiram folcloristas. E a vitória ficou com a velha capoeira, altamente prestigiada no Congresso Afro-Brasileiro de 1947 na Bahia. Exaltaram os partidários da linha tradicional que dera nomes de capoeiristas famosos como Samuel Querido de Deus, José Domingos, Vitor Agaú, Maré, Onça Preta, Celestino Alemão e o famoso Vicente Pastinha.

      Capoeira em Pôrto Alegre

      No festival de Folclore que se inicia na próxima quarta-feira teremos oportunidade de apreciar a autêntica capoeira d'Angola praticada na Bahia, pelo famoso grupo de Vicente Pastinha. É possível que, à primeira vista, percebemos [..] e agilidade coreográfica de raspas e rasteiras. Mas é bom nos lembrarmos que fora do som do berimbau, numa luta em campo aberto - capoeira mata um.

      [legenda da foto] CAPOEIRA DA BAHIA EM TERRAS DO RIO GRANDE

      Cenas como esta se repetirão brevemente em Pôrto Alegre, durante o festival de Folclore que se iniciará na próxima quarta-feira. Na foto o grupo de capoeiristas, que aqui estêve integrando o elenco do "Pagador de Promessas", numa demonstração especial para a reportagem do DIÁRIO DE NOTÍCIAS, no Parque Farroupilha


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